Tenho um carinho especial por duas árvores da minha infância. Habitam uma praça próxima do apartamento em que vivi na 308-Sul, em Brasília, e pelos seus galhos engatinhava de uma a outra copa.
Adorava esse passeio de escalar o tronco e conquistar os primeiros galhos para perder-me entre essas belas árvores. Faz pouco menos de dez anos, estive em Brasília e lá estavam as duas, frondosas como nas minhas recordações.
Lembro delas cada dia ao passar diante de uma árvore um tanto menos bonita, mas igualmente querida pelos moradores de Sarrià-Sant Gervasi, em Barcelona. Há um terreno, pronto para a construção do que será um edifício, onde hoje só persiste uma árvore considerada especial para o bairro.
A grade que protege a área foi decorada com pequenos pedaços de pano verde pelas mil pessoas que, recentemente, fizeram uma manifestação em defesa da preservação da árvore, de mais de 200 anos de idade e provavelmente uma das mais antigas da sua espécie (Ziziphus jujuba Mill, jujuba-selvagem) em toda Catalunha.
Os seus defensores alegam que a história do bairro está intimamente relacionada com o passado dessa longeva. Desconheço as justificativas de cada lado, mas compreendo essa movimentação cidadã por uma árvore, quando pode-se pensar que uma cidade melhoraria com lutas mais urgentes. Compreendo por motivos pessoais – as duas árvores da minha infância – e por ter observado que aqui em Barcelona é comum sair às ruas, seja por temas “grandes” ou “pequenos”.
As faixas nas varandas e os cartazes nas ruas pedem o teu apoio para diversas causas, como acontece com o recente caso do trem de alta velocidade, que para muitos deveria ter um traçado pela costa e não pelo centro da cidade.


