Aconteceu no espaço de três estações do metrô. Dois romenos começam a tocar sua música, um com clarinete e o outro com acordeão. Um homem alto, moreno e de compleição forte começa a batucar, tentando acompanhar o ritmo. Insinua um sorriso aberto, mas não chega a tanto porque equilibra o cartão de passagens entre os lábios. Do meu lado, um rapaz com aparência de quem vem da Índia tenta se concentrar em um livro em castelhano; ele usa Havaianas nos pés.
Mais adiante, uma senhora francesa procura moedas de euro para dar um trocado aos músicos, enquanto um outro rapaz, esse com traços orientais, não deixa de observá-los com certo assombro. Questão de minutos, até que o metrô pára e desço para seguir meu caminho dessa vez em trem.
Subir a um vagão de metrô em Barcelona, assim como em qualquer outro centro urbano (poderia dizer cidade grande, mas não no caso de Barcelona), é uma experiência revigorante. Os idiomas conhecidos e nunca ouvidos, rostos de todos os tipos, os gestos, as atitudes, o grito inesperado, o aviso do alto-falante, o celular que toca incansável, enfim, uma curta viagem subterrânea pode reservar tudo isso e tudo mais.
As seis linhas do metrô barcelonês te deixam praticamente em todas as partes. Com os pés na rua, o mais provável é que o seu destino esteja a poucos metros da estação ou dobrando a esquina (baixa aqui o mapa das linhas). Ao todo, são 631 vagões, 86 quilômetros de linhas (a São Paulo metropolitana, com mais de 19 milhões de habitantes, dispõe de apenas 60,2 km), 123 estações e 29 km/h de velocidade média, segundo os Transportes Metropolitanos de Barcelona.
Mas não tudo são flores. O metrô de Barcelona também se faz de tragédias: roubos de carteira, suicídios, acidentes, atrasos e casos de atendimento médico em plena plataforma, além de outras. E por isso repito: subir a um vagão de metrô em Barcelona é uma experiência revigorante.
P.s.: Obrigado pelo dado, Daniel.


