A primeira sensação é de calma. Por fim, silêncio, dirá mais de um. Ao lado da Catedral, mas protegida dos ruídos pelas edificações que a circundam e dos muitos visitantes do Bairro Gótico pelas duas ruelas serpenteantes que a ocultam, a Plaça de Sant Felip Neri (ver o mapa) é um ponto de tranquilidade em meio ao desassossego de uma das zonas mais turísticas de Barcelona. E também a inspiração de um repasso histórico (clique para visitá-la já).
Felip Neri foi um sacerdote italiano (1515-1595), fundador da Congregação do Oratório e canonizado em 1622. A ele também está dedicada a igreja situada na mesma praça. A história do local, no entanto, tem muitos mais anos de vida. O centro da praça ocupa hoje parte do cemitério medieval de Barcelona, que antes estava confinada entre muralhas romanas.
Também se encontram próximos um do outro os antigos grêmios dos caldeireiros e dos sapateiros (o qual é morada hoje do Museu do Calçado Antigo). Mais que uma organização setorial, os grêmios foram o núcleo da vida econômica de Barcelona porque respondiam pela união dos trabalhadores, pela formação técnica de novos profissionais e pela fiscalização do exercício profissional. Perduraram por 600 anos, do século XIII ao XIX, quando a revolução industrial transformou a economia catalã.
A história recente, no entanto, também deixa marcas na praça. Na fachada da igreja é possível ver as marcas de uma explosão provocada pelo bombardeio da aviação franquista italiana sobre Barcelona na manhã de 30 de janeiro de 1938. Recentemente, o prefeito de Barcelona compareceu a um ato para recordar aquele ataque. Durante três anos, cerca de 1.900 bombas caíram sobre a cidade em 385 ataques aéreos.
Hoje, felizmente, as bombas já não fazem ruído na Sant Felip Neri. Só as folhas de duas árvores imponentes que, balançadas pelo vento, fazem o visitante olhar para cima e encontrar também o céu (quase) sempre azul de Barcelona.


